Lost in Translation

Postado em 11 de dez de 2012

Todos viram… Bob Harris (Bill Murray) era um homem de 50 anos, deslocado em Tóquio, esbarra com Scarlett Johansson e vive uma paixão platônica pela loira (só ele…). Anda com os amigos dela para karaokês, clubes e bares, todos eles muito jovens e cansativamente ultra-hypes, do meio da moda e da publicidade. Mas, apesar de ser ator e estar no Japão para ganhar seu $$ em comerciais de uma marca de uísque (“Make it Suntory...”), ele não tem nada com aquilo, aquele não é seu mundo e, fora Scarlett, nada ali parece encantá-lo de fato.

http://www.youtube.com/watch?v=vSPO2l8HUBU

Quem é Bob Harris? Alguém da 2a idade? Que está no mercado de trabalho conquistando sua posição, independência, construindo sua identidade profissional, seu capital social? Alguém que tem pela frente 20 ou 30 anos absolutamente imprevisíveis? Seus valores são semelhantes aos desses jovens de 25 ou 35 anos?

Já é alguém que se aproxima da 3a idade, que já cumpriu seu grande ciclo e busca novos projetos de vida, reconstrói sua identidade, se reconecta a um cotidiano de novas rotinas, responsabilidades, assume novos papéis? Bob Harris se imagina em breve tendo espaço em fila preferencial? É óbvio que não…

Bob Harris está mais que lost in translation, ele está perdido entre dois mundos que não são o seu. Não há ainda um termo para essa “idade 2.5” que milhões de Bob Harris (ainda que sem o charme de Bill Murray) vivem. Boomers, Pleasure Growers, Family Activists, Novos 30… quanto mais termos escutamos menos entendemos Bob Harris.

A GAGARIN não tem a pretensão de cunhar marketeiramente termo nenhum. Como já se viu, nem gostamos de termos. Nós apenas investigamos os novos 50 e para nós está claro que ele são complexos, vividos, aí-para-muito-mais, incomodados, nem jovens, nem velhos, muito menos “resolvidos”, um público sobre o qual se pode cada vez mais construir retratos interessantes.

A cada vez que revejo, sofro e torço para que o Bob fique com a Scarlett…

Benjamin Rosenthal