O que é mesmo um idoso?

Postado em 04 de ago de 2013

Me agradam as discussões que relativizam criticamente um conceito. Trato aqui de uma relativização do conceito de idoso. É claro que o conceito é importante, mas não creio que seja absoluto. Explico aqui o que observação, estudo, pesquisa e reflexão sobre o tema começam a formar em mim, mas que obviamente tenho a humildade de jamais concluir. Comentários são muito bem vindos.

Pensar em termos de geração e categorizar alguém como idoso é importante se houver claras distinções entre as gerações pensadas. Assim, uma juventude e uma velhice imaginadas e construídas podem servir para distinguir juventudes e velhices reais. As características de cada grupo se apresentam e os grupos ganham os contornos que os definem. Isso é necessário e me incomoda bastante quando vejo tintas “rejuvenecedoras” em idosos, um retrato que os distorce, lhes aplicando papéis e valores de gerações mais jovens e que por isso, na minha concepção, os desrespeita, ainda que involuntariamente. Há bastante literatura em gerontologia que fala sobre esse tema, denominado positive ageism (Palmore, 1999).

Pensar em termos de gerações é pensar em termos escalares (por exemplo a idade adulta se encerrando aos 59 anos (64 anos em algumas culturas) para então se iniciar a terceira idade e assim por diante). Ora, vivências não obedecem o passar dos anos. Quando se pensa em termos de indivíduos cada um vive a vida de uma forma e por isso o conceito de idade biológica pode e deve ser relativizado em seu poder explicativo. Aqui vale citar Simone de Beuvoir em The Coming of Age: “So long as the inner feeling of youth remains alive, it is the objective truth of age that seems fallacious”.

Já quando se pensa em termos de grupos, a idade biológica pode servir bem para explicar porque determinado grupo é mais conservador, menos afeito a determinados comportamentos e detentor de determinados valores em comum. Possivelmente no nível do grupo sim a idade se impõe como força moldadora, ainda que nunca de forma categórica como retratos de perfis geracionais podem sugerir.

E quando se pensa em termos de sociedade, aí sim. Governos têm que pensar para uma terceira idade imaginada e de alguma forma definida em pesquisas: programas de saúde, previdência, transporte, segurança, direitos, cidades, impostos, educação, tudo isso precisa de um alvo e a terceira e a quarta idade são alvos fundamentais.

Assim, diminuo meu incômodo com a conclusão de que o idoso é um grupo, não necessariamente um indivíduo. Esse pode ser novo aos 80 ou velho aos 20, de fato dependendo de quem ele quer ser e de quem ele se torna. Sou membro de um grupo de nadadores e nela há um senhor de quase 80 anos que recentemente atravessou o canal da mancha. Ainda preciso envelhecer muito para chegar nesse nível…

Benjamin Rosenthal