O universo da moda e o consumidor maduro

Postado em 17 de jan de 2013

Você é brasileiro(a) e tem mais de 50 anos. Quais são suas possibilidades de marcas de roupa? Qual é o seu espaço no universo da Moda?

A Moda não é um fenômeno isolado da sociedade. Ela é parte integrante do sistema cultural em que estamos inseridos e é resultante das tendências de comportamento das pessoas. Mas saber que tipo de roupa, qual corte, cor, estilo serão desejados pelas pessoas no futuro não é tarefa fácil e, por isto, existe uma indústria com profissionais especializados em identificar as tendências de consumo a partir da observação do comportamento global.

Estas tendências se iniciam na própria Cultura, do qual os grandes profissionais criativos são tanto resultado quanto agentes importantes de transformação. O antropólogo Grant McCracken tem textos adoráveis sobre isso, para quem quiser conhecer mais.

Enquanto produto da Cultura os profissionais criativos são reféns (mas não completamente) dos valores vigentes. E a valorização da beleza e da juventude é um valor vigente na sociedade contemporânea. Ser (ou parecer) jovem atribui “capital simbólico” (como diria Bourdieu) a quem é (ou parece). E há quase uma ditadura hoje em dia: todos querem ser ou parecer ser jovens. Será?

Claro que não. Existem pessoas que valorizam e até curtem uma imagem mais madura mas são a minoria. E como toda minoria, tem dificuldade em encontrar uma moda que seja o seu número. Literalmente, afinal, uma das peculiaridades da moda é o corte e a regra geral é focar os modelos em silhuetas esguias, pouco comum em pessoas com mais de 50 anos.

Já escutei muito de consumidoras mais velhas que, quando encontram uma loja que sempre têm algo que lhe cai bem, elas se tornam fieis. Alguém imagina isso sendo dito por um jovem de 25 anos? Tudo é feito para ele…

Marcas Brasileiras de moda como a Richards, a Cori e a Shoulder fazem moda para corpos e cabeças com mais de 40 anos. Mas não se posicionam clara e diretamente para esse público. É como se pessoas mais velhas fossem um vírus capaz de envelhecer a marca. Isso já não acontece com grandes marcas internacionais como Louis Vuitton e Prada que encontraram formas bem interessantes de retratar este público em diversas campanhas, apresentando  pessoas mais maduras em seus anúncios. Até as celebridades que elas escolhem refletem a idade desta parte de seu público. É uma forma de ser valorizado por estes consumidores que, em geral, têm uma carteira recheada para pagar os preços mais que premium das peças destas marcas.

Resumo da ópera: O trinômio sistema cultural, indústria e profissionais criativos se volta para os mais jovens. Exclui os mais velhos de sua marca, produto e só não exclui da loja porque seriam presos.

Adoraríamos ver marcas mais cotidianas do que Louis Vuitton e Prada tratando os consumidores com mais de 50 anos de forma natural, com atitude de pessoas que querem, da mesma forma que o jovem, construir quem são e se expressar por meio do que vestem.

Vivienne Westwood disse recentemente que as pessoas que se vestem de forma mais interessante têm hoje mais de 70 anos. Ela disse isso justamente porque essas pessoas fogem do fast fashion, que nem é direcionado a elas. Ou seja, no cruzamento do uso de criatividade e autenticidade com a inadequação do mercado a essas pessoas, surgem corpos maduros que transpiram personalidade nas ruas.

Fabio Sandes                                                  Benjamin Rosenthal