Se a BR Foods e o Itau não quiserem, eu quero!

Postado em 21 de mar de 2013

Executivo de primeiríssima linha. Experiente. Track record irreparável. Liderou a construção do maior banco privado do pais. Histórico de resultados financeiros extraordinários e crescentes. Que empresa abriria mão desse valor? A resposta é chocante. Uma boa parte das empresas tem feito isso. Hoje aos 59 anos, Roberto Setúbal acaba de promover uma mudança nos estatutos de governança corporativa do Itau estendendo a idade para aposentadoria compulsória do presidente de 60 para 62 anos. Os acionistas agradecem.

Esse é um caso emblemático, mas infelizmente está longe de ser único. Aliás, a exclusão dos maduros no ambiente corporativo é muito mais forte do que constam dos manuais e regras de RH. Na maioria dos casos não está escrita em lugar nenhum mas está cravada no senso comum das empresas. Em algumas áreas ter mais do que 35 anos de idade já transformam uma pessoa num dinossauro, alguém incapacitado para lidar com o mundo contemporâneo. Será?

Pode até ser que em determinadas áreas, como o marketing digital, um jovem de 25 anos tenha muito mais traquejo do que um quarentão. Afinal, cresceu nesse ambiente. Pode ser, mas o fato de permanecer 15 horas por dia no Twitter ou no Facebook não torna ninguém um gênio da computação. Então, devagar com o andor. Para responder a esse ponto, vou recorrer ao incensado Steve Jobs, sempre e ainda ele. Qual Jobs você prefere? Aquele escorraçado da empresa que fundou aos 30 anos ou o que retornou aos 50 anos, para resgatar a Apple da falência e leva-la ao topo em valor de mercado?

Trato desses exemplos por uma razão muito simples. O aumento da longevidade combinado a brusca redução da taxa de natalidade no Brasil trará efeitos que irão muito além da inversão da pirâmide etária do país nas próximas décadas. Muitos outros conceitos terão de ser virados de cabeça para baixo – a aposentadoria precoce de talentos é um dos casos mais flagrantes é um deles.

Nesse momento de pleno emprego e de boom de obras de infraestrutura, é muito interessante ver empresas recontratando a peso de ouro engenheiros, físicos, administradores, muitos dos quais haviam sido dispensados pelo critério de idade.

Para nós da Gagarin é um bálsamo ver o vigor com que o empresário Abílio Diniz aos 76 anos se lança em seu novo desafio de brigar pela presidência do Conselho da BR Foods. Nada de aposentadoria para ele, que já havia resgatado o Pão de Açúcar de sua maior crise no final dos anos 80 (quando já tinha mais de 50, diga-se de passagem) para construir a maior empresa do varejo brasileiro. Pois sim, é verdade que tem muito jovem de 25 anos que sonha em montar uma startup, vender, ficar milionário e viver o resto da vida na farra. Mas também há muitos caras com 50, 60, 70, 80, que já até passaram do bilhão mas continuam na luta. Que esses exemplos inspirem mudanças.

Roni Ribeiro