“When I’m Sixty-Four” – comunicação com os maduros

Postado em 08 de jun de 2013

Uma reclamação freqüente dos maduros é a forma como as pessoas mais jovens se dirigem a eles, de certa forma carregada de tom paternalista. Quem nunca conversou com alguém bem mais velho de forma diferente da que conversa com pessoas da mesma idade, ou que sejam apenas um pouco mais novas ou mais velhas?

Quais as origens dessa linguagem paternalista? De certa forma as “folk theories” que governam boa parte da vida das pessoas apregoam que os mais velhos têm dificuldade de entender e que, portanto, deve-se conversar com eles de forma lenta e simples. Mito. Na verdade, fora algum problema de audição, que não é incomum no processo de envelhecimento, ou alguma falta de conhecimento sobre o tema da conversa, qualquer pessoa com mais de 75 anos fala de tudo e processa informações quase que da mesma forma que os mais jovens (talvez um pouco mais lenta e organizadamente, alguém mais maldoso acrescentaria…).

Qual a conseqüência da linguagem paternalista? A pessoa mais velha pode se irritar com o excesso de cuidado que algum mal-avisado emprestar ao diálogo e desistir dessa pessoa. Se você conversa com sua avó ou sua tia dessa maneira ela pode ignorar o seu erro por amor e fingir que está tudo bem. Mas se você é a caixa do supermercado que o Sr. Nestor costuma freqüentar, ele pode se irritar e isso não agrega à sua experiência de loja e ao seu nível de serviço. E se você é o gerente que o atende no banco, o respeito na comunicação eleva as chances de permanência do dinheiro do Sr. Nestor nessa instituição.

Vale lembrar que, ao tratar uma pessoa mais velha (para os padrões culturais atuais) como velha, alguém tem algo como 40 a 70% de chances de errar. Afirmo isso pois há estudos que mostram que boa parte das pessoas mais velhas não se vêem como mais velhas. Elas até vêem os outros como mais velhos mas não elas mesmas. Certo ou errado, é assim que elas constroem suas identidades e é com essa informação em mente que você deveria agir.

Como diz um trecho da letra de Lennon e McCartney (mas claro, como mudou o que é ter 64 anos de 1967 para cá…): “You’ll be older too… / And if you say the Word / I could stay with you”.

Benjamin Rosenthal